três sonetos


a Ana 

esquecerás amor 
a minha face 
o meu cavalo de fogo 

o meu navio e arderas ao lume 
que perpassa 

na angústia sepultada 
em cada rio 

ver te ei louca 
dizer 

dá se um cavalo 
de fogo 
e um navio 

a quem recordar 
a sua face 
mas não mais 
me acharás
no longo do rio

estrada sem memória 
no areal 
frase uma vez
só dita 

ou bem ou mal 
em mim 
a porta 
em ti a chave 

toma a abre 
ou fecha 
a porta ardente 
de vez 
quero saber 
se esta semente 
ainda será 
vento flor ou ave 

um viver que é morrer 
a cada hora angústia 
que é prazer 

surda harmonia 
todo o bem 
todo o mal 
dor alegria 
abutre 

pomba de luz 
que me 
devora 

prisão de onde 
não 
quero ir me
embora 

jardim de vidro 
negro 
claro dia 
cavalo de fogo 

ácidos agonia 
os infernos 
os céus 

barco na aurora 

aqui somente 
a sede 
ardente 

e a fonte 
para mata lá 

aqui céus 
horizontes 
e o voo 

a fuga a súbita 
viagem 

não conheço 
não sei 
de outro país 

ó meu amor
Feliz ou infeliz 

porque me escondes 
minha própria 
imagem 

aquele por quem 
chamas noite 
e  dia 
com o teu sangue 
com a tua voz 
e a voz 
do vento 

0risioneiro em seu 
próprio 
sofrimento 

neste poço 
de carne 
e agonia 

aquele que tacteando 
busca 
o dia 
de teu rosto 
chegando 

flor no tempo 

e transforma seu 
áspero 
tormento num 
cântico de amor 
e alegria 

e cego e surdo 
e mudo 
assim proclama 
seu amor 

seu voo 
a viva chama que 
irrompe 
a cada sílaba 
que dizes 

vê lo às meu amor 
enfim voltar 

antes que chegue 
o  fim 

súbito mar 
coroada de sol 
e de raízes 

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