o poeta

a Ana 

seara e nuvem 
barco e melodia 

no coração das 
feras 

trazes a aurora 

em tuas mãos 
suaves 

abrindo a noite 
barco e melodia 

lírio solar 
estrada cotovia 

jamais sonhada 
pelas próprias 
aves 

a morte a vida 
a porta e a chave 

tudo se confunde 
e anuncia 

sonharam te os abismos 
e os morcegos volveram 
se em arcanjos 

e vêm cegos quando
os fitas 
pousar nas tuas mãos 

só em ti a beleza
encontra forma 

cantas
e ligo a noite 
se transforma 
no dia 

que faltava à criação 

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