O Poeta no Tempo
o poeta do tempo
amanhã viajarei no tempo
viajarei nos ventos os dedos
esguios
viajarviajarei nos ventos
nas nuvens nos caminhos
das águas retornarei serei
de novo a oculta semente
que esperava o tempo de
ser ave
passarei por baixo por dentro
por cima dos móveis
das casas dos ramos dos
telhados
viajarei no raio de luz
que nasce naquela estrela
onde toca o meu dedo erecto
deixarei minha casa minha rua
minha família meus amigos e
inimigos que seguirão seu caminho
e um momento olharáo estáticos
a minha partida como se ela fosse
talvez inesperada
deixarei minha face meus versos
e este desejo de vê los um dia dar
espigas

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