o navio levava o menino que fui
a Ana
o navio levava o menino
que eu fui alguma coisa
de mim morria definitivamente
enquanto os marinheiros
levavam indiferentes o
convés e as gaivotas
guinchavam
agora levado por fios
e mãos invencíveis eu
ia a caminho do Norte
o menino que eu era
iria conhecer o sentido
das latitudes e das
distâncias entre os
meus irmãos do norte
iria morrer o menino
entre brumas e frios
e as horas velhas
pardas do velho
liceu a minha espera
sentindo nos pulmões
o fumo das fábricas
trepidantes nos ouvidos
os ruídos dos pregões
e do trânsito inumerável
e sobrepondo se a tudo
o grito da vida desgraçada
dos homens em túmulo


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