Meus Moleques

meus moleques meu bom amigo
João Pequeno que eu um dia baptizei
fingindo de padre

com opas de lençol
e com sal que pus
na tua boca alegre
e franca

meu bom amigo
que querias vir
comigo para Lisboa

minha história
história de meu
pai

que bateu paragens
inóspitas

meu pai que te conheceu
minha cidade

ainda adolescente
histórias do sertão
com venenos e feitiços
e mortes e revoltas

meu pai que partiu
infante de uma aldeola
perdida da metrópole

e se embrenhou no mistério
tenebroso que era a África
do então

e tu minha cidade ainda
adolescente lânguida mente
recostada no planalto verde
e vermelho

deixavas te como uma
crioula nua possuir ao
sol pelo branco que teu
ventre fecundo tinha
ânsia de ficar grávido
do seu génio imortal

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