ergue lenhador o teu machado
a Ana
ergue lenhador
o teu machado
assenta o golpe
no tronco necessário
dá começo ao teu trabalho
golpe a golpe
ergue te a consciência do tempo
que crias e que independentemente
de ti
ó lenhador te arrasta implacável
e sereno
assim querida te golpiarei
te beijarei onde não és mais
do que o teu próprio principio
para além da carne que te veste
só de te ver desfaleco
te possuirei para além
dos seios e da curva tão
macia dos teus braços
para além das pálpebras
onde dormem a noite e a
luz todo o prestígio da
fascinação para além
do teu sexo e do mistério
que nele me escondes

Comentários
Enviar um comentário