Antes de ti

a Ana

antes de ti o vácuo
a desolação a não
existência

não exagero querida falo te
quase sem palavras

sepultado no silencio e na
treva deste cárcere

e canto nossa gloriosa
humana condição

em ti existo em ti
me encontro em ti
espero hoje como
ontem e amanhã
inexoravelmente

rebenta ó árvore
abandonada no
inverno do áspero
caminho

canta ó ave intranquila
do amor teu sonho de
planície

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