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A mostrar mensagens de fevereiro, 2019

meu amor

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a Ana meu amor és a flor sou  o

primeira canção da malta

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a Ana chamam por mim do fundo da noite eu estremeci quem será que me chama do fundo da          noite eh malta conheço os desvios e vou a busca do que nos          falta a lua é nova mas há       estrelas eu vim em busca da          madrugada eu hei de achar nossas courelas mai lá estrada

o navio levava o menino que fui

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a Ana o navio levava o menino que eu fui alguma coisa de mim morria definitivamente enquanto os marinheiros levavam indiferentes o convés e as gaivotas guinchavam agora levado por fios e mãos invencíveis eu ia a caminho do Norte o menino que eu era iria conhecer o sentido das latitudes e das distâncias entre os meus irmãos do norte iria morrer o menino entre brumas e frios e  as horas velhas pardas do velho liceu a minha espera sentindo nos pulmões o fumo das fábricas trepidantes nos ouvidos os ruídos dos pregões e do trânsito inumerável e sobrepondo se a tudo o grito da vida desgraçada dos homens em túmulo

o navio

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a Ana o navio estava atracado ao cais o meu pai trouxe me pela sua mão e falou me como se falasse já com um homem grande palavra por palavra recordo me ainda o que ele me disse por essa madrugada fora  o  navio  levantou ferro a brisa marinha bateu me  na face e removeu me o cabelo minha mãe segurava me pela mão junto da amurada e eu via a Catembe a Ponta Vermelha e a  Polana acenarem me de longe cada vez mais longe

Eu vim do sul

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a Ana eu vim do sul disse adeus a João Pequeno ao Canivete ao Breno ao Eduardo ao Luís e a minha cidade disse adeus as minhas avenidas aos meus machibombos meus ónibus meus palmares a minha casa de menino na Maxaquene aos meus gritos as minhas alegrias e a minha claridade

Minha cidade do sul

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a Ana eu te amo mais do que qualquer outra cidade do mundo ó minha cidade do sul por este sentido de camaradagem humana que me deste eu andei na escola franca tu deste me a nítida consciência do que será a grandeza humana

Minha cidade Franca

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a Ana meus ingleses senhores dos guindastes e das docas e dos armazéns ingleses do hotel polana ou Polana Hotel ingleses do golfe e do ténis e da simpatia que me ficou de vós meus italianos judeus fanceses parses gregos ó gregos da ilha de inhaca ó meus irmãos do mundo inteiro eu cruzei me convosco na flor da idade caminhei ao vosso lado brinquei em vossos joelhos vossa presença multiplica e franca deu me o sentido da fraternidade  por isso eu te amo mais do que outra qualquer cidade do mundo

Meus monhes

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a Ana  meus monhes de cofios vermelhos na cabeça  acocorados em sórdido balcões nas ruelas  da baixa cheirosas a tabaco  mascando mascando  mercadores de levante  senhores de esterlinas  minhas mulheres morenas  belas indianas  ó mulheres muçulmanas  inacessíveis  veladas  senhoras do mistério  e perfumes do oriente  meus irmãos canecos  donos de bancos e de jornais  meus irmãos  chineses  pacíficos amarelos  vendendo bugigangas em quiosques  onde compravamos foguetes e rebuçados  pasteis de amendoim e caju limonadas e papagaios 

viva a palavra

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a Ana já me falaram de ti e de um livro que não conheço ... desse instante em que te li nas linhas que não esqueço e te direi  ... viva a palavra escreveste numa folha que era tua mensagem de despedida sempre a espera de ser lida imagem rica e tão  nua nas verdades construídas história que te ensinou tudo o que pões em palavras simplesmente feitas saudade sangue e sol e alguma dor povo coração forte fustigado pelo amor de agora palavra viva  simplesmente te direi amante  sim sou o amante da palavra

As pedras

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a Ana enquanto as pedras falavam me contavam me histórias vivas sem tempo sinto nas pedras que afago  as carícias de outro vento  ... vento meu traz me as memórias por entre as pedras perdidas lascas de pedras rasgadas de um tempo que se fez perto palavras mil semeadas folhas rasas livro aberto meu livro livro meu lê me as histórias por entre as pedras vividas corpo de pedras sem braços de. musgo verde vestida saudosos de outros braços de um sopro que lhe dê vida sonho meu canta as vitórias sobre pedras construídas

intervalo das palavras

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a Ana para lá de cada palavra ou memória há sempre uma história das minhas fizeste outras palavras sem roubares aquele sentido muito  meu mas sei que o teu sentido ficou nelas tu leste e eu li o que escreveste sem deixar de ler os teus sentidos deixados nas palavras e nas letras com estas se desenham o poema e entre linhas versos e outros temas ficam pontos traços e laços acentos símbolos sinais e abraços raízes das palavras por dizer muitas que eu não as escrevi e adivinhaste as que eu amei e tu as sonhaste e todas quantas os teus filhos e os filhos dos teus filhos irão dizer é sentir na pele e escrever ...

palavras de outras escritas

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a Ana  palavras  de outras escritas  escritas por meus dedos  ... serão temas de um projecto universal  pensamentos circulantes dons  de  pensar e dizer  liberdade  amor  e vida  a  sua  maneira  .... serão poemas de arrombo e  solidão  fantasia paixão  ou  até  saudade partilhados nas  horas  de  qualquer  tempo  ... serri uma  esferográfica  uma  caneta  se  possível  e  tradutor  porta  voz  planetário  da língua humana  no meu  lugar  darei  corpo  a  angústia  a  timidez  a insegurança  e soltarei o eco  dos  medos  em  liberdade  depois no azul da noite  recolherei em silêncio ao  sossego e deixarei que as vozez5 os temas os dons e os poemas  tomem o seu corp...

palavras círculos vivos

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intervalo das palavras  a Ana  em noites de ventos frios  acendo uma luz  no escuro  e sem saber bem aonde ou até  o que procuro  nesta pesquisa sem nexo  encontro folhas e sons  sonhos desejos guiões  papeis soltos  em gemidos suspiros  é este o círculo eterno  das palavras vivas  palavra puxa palavra  beijo flor  terra  mãe  dor de alguém  a água  junto cor  e na mágoa vejo  amor  não  digam que é feio  o livro que leio  tudo o que tenho  parece um desenho  ... e como um arado  que lavra rasga  carreiros e linhas  palavra puxa palavra  aí lanço as sementes  as tuas ideias  e as minhas  depois há sempre  um depois  de mundos  sóis e luas  as andorinhas serão  tuas amadas  ...

Com o mesmo fim

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a Ana que sinais dos tempos povoam o teu ar tempos que marcaram a ti a mim mas nada consegue mudar o teu olhar afável que desde o início foi sempre assim que esta relva manto para plantar a mais bela flor para nascer um jardim instale se uns pés convém ser bem regada brotarao vávariadas cores do banco ao carmim  ... com que olhos viste criar esta obra tal como eu meu lembro ao dar mes o teu sim o botão gerou a flor foi  o despertar tanto faz que seja rosa ou seja jasmim ... Os olores na vida são cirios para alumiar o  caminho que ambos seguimos como o mesmo fim ...

Meus bons moleques

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João Pequeno e Canivete leais e francos meus pretos amigos e camaradas onde estais que há tanto tempo que vos não vejo e tenho saudades das vossas palavras humanos e transparentes meus monhes de cofios vermelhos na cabeça acocorados em sórdido balcões nas ruelas da baixa cheirosos a tabaco mascando mascando do levante senhores de  montes de esterlinas

anseios

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a Ana meus primeiros anseios de menino aberto ao sol de fogo que me beijava a fronte e me pôs mistérios e longe e dentro dos olhos ah minha pureza ansiosa que eras banca como as flores de laranjeira minha bulisosa curiosidade que desvendravas todos os brinquedos que me davam só para ver o maquinismo subtil que havia dentro deles

Minha cidade maravilhosa

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a Ana minha cidade maravilhosa tão longínqua e tão presente minha cidade do sul à beira mar com o Alto Mahe e a Maxaquene a Baixa e a Polana meu porto acostavel com guindastes e cais para todo o mundo meus campos de futebol com camisolas multicolores e os nossos aplausos em tardes de glória ó minha escola franca dos bulícios de mim e dos meus irmãos pretos meus cajueiros e minhas árvores de manga rescendentes

Minha cidade

a Ana  minha cidade maravilhosa  tão longínqua e tão  presente  minha cidade do sul  à beira mar com o Alto  Mahe e a Maxaquene  a Baixa e a Polana  meu porto acostavel  com guindastes  e cais para todo o mundo  do  bulício de mim e dos  meus irmãos pretos meu cajueiros  e minhas árvores de manga  rescendentes 

Minhas Histórias

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de meu pai que bateu paragens inóspitas  meu pai que conheceu a minha cidade ainda adolescente histórias do  sertão com venenos e feitiços e mortes  meu pai de uma aldeola perdida da metrópole e se embrenhou  no mistério tenebroso que era a África do então  e tu minha cidade adolescente ainda laguidamente  recortada no plano verde e vermelho  deixaste  como uma crioula nua  possuir ao sol pelo branco que teu  ventre fecundo tinha ânsia  de ficar grávido  do seu génio imortal 

Meus Moleques amigos

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meu bom negro João Pequeno que eu um dia baptizei fingindo de padre com opas de lençol e com o sal que pus na tua boca alegre e franca meu bom negro que querias vir comigo para Lisboa

Minha Negra

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ah minha noite acolhedora e despida mai los teus maravilhosos brinquedos e as dunas macias com que brincava e o teu olhar afável de escrava e o mistério do teu corpo negro que era toda uma claridade ah minha negra submissa e envolvente que sem pecado vinhas e te despias e metias comigo na cama quando eu morava na Maxaquene ó minha noite maravilhosa e pura aí que é feito do teu menino

Boa negra

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minha boa negra  ó minha noite tropical com a lua lá fora a enflorar os palmares e o aconchego incensado de mistérios os meus sonhos de menino ah minha noite acolhedora e despida mai los teus maravilhosos brinquedos e as dunas macias com que brincava e o teu olhar afável de escrava e o mistério do teu corpo negro que era toda a claridade

noite tropical

Ó  noite maravilhosa  que vinhas e te despias e metias comigo na  cama  e eras uma negra cheia de mistério  e eu não tinha medo tudo era extraordinário  mas natural  agasalhava em ti e meu corpo  de menino e os sonhos que  tinha eram cheios de claridade  súbito as vezes acordava aos  ecos lá de fora de medonhas  trevoadas de chuva e vento  assapantando a minha casa  que estremecia e as árvores  e os pássaros que gritavam  mas tu boa negra voltavas  a acariciar me de manso  e eu aninhava meu corpo  pequenino entre as dunas dos teus seios quentes e voltava aos meus sonhos de claridade 

INFÂNCIA

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a Ana  eu vim do sul minha cidade  longínqua mas aqui tão nítida e pressente minha cidade  indicá e tropical  minha cidade natal da beira mar  com as minhas avenidas e palmares  eu vejo o vulto opulento do teu corpo  estender se vivo e sensual sobre o  planalto verde e vermelho a espreguiçar  se ao sol inflamado como uma crioula  nua  minha casa de banho na Maxaquene  coberta de zinco pintado a zarcao com um jardim em volta sempre em  flor e uma laranjeira e uma árvore de  papaia  minha casa de menino  ó minha cidade longínqua  mas aqui tão nítida e presente  minha cidade do sul  que é do bibe às flores  costurado por minha mãe  que não bem ficava  que é dos meus brinquedos  que é das minhas paisagens  ó minha cidade do sul  que é do menino que fui  onde estão os meus gritos  os m...

estrada nova

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a Ana nós estamos a jogar picaretas de aço ó montanha negra nós te venceremos viemos de longe dos confins do mundo viemos em fúria nós estamos a jogar picaretas de aço é uma estrada nova é uma estrada nossa viemos em fúria dos confins do mundo

viaja me

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a Ana pura ou impura pouco importa isso simplesmente humana súbita árvores de seios e desejos de angústia coberta de insultos e raiva à cada instante morres renasces voo com o teu olhar punhal acertado cravado no vento da nossa loucura com tuas sedosos mãos esmagando insectos flores venenosos com teus lábios ardentes de febre colados aos lábios frios da morte caminha relâmpago na treva

amor

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a Ana esquecerás amor minha face meu cavalo de fogo meu navio e arderas no lume que perpassa na angústia sepultada em cada rio ver te ei louca dizer dá se um cavalo de fogo e um navio quem me recordar sua face mas não mais me acharás no longo rio

As vozes silenciadas

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a Ana um viver que é morrer a cada hora angústia que é prazer surda harmonia todo bem todo o mal dor alegria abutre e pomba luz que me devora

velozes

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a Ana velozes na noite assombrada de ver nos passar velozes velozes voavamos cobrindo a de sonho e luar velozes  velozes voavamos fugimos onde o que fomos mãos no volante a estrada fede se em nacar e luz voando connosco vekozes velozes onde a cidade onde o neon a fingir de sol e os deuses de autoclismo o massacre legal de nossa pureza a misteriosa face de aço construída e fome autêntica de peixes e anjos velozes velozes voa  voa com os teus verdes cavalos as  clinas em fogo na treva arroja te e connosco  transpõe súbito o abismo e vekozes velozes fitando deslumbrado o sucedâneo dum outro paraíso éramos dois peixes éramos dois anjos

três sonetos

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a Ana  esquecerás amor  a minha face  o meu cavalo de fogo  o meu navio e arderas ao lume  que perpassa  na angústia sepultada  em cada rio  ver te ei louca  dizer  dá se um cavalo  de fogo  e um navio  a quem recordar  a sua face  mas não mais  me acharás no longo do rio estrada sem memória  no areal  frase uma vez só dita  ou bem ou mal  em mim  a porta  em ti a chave  toma a abre  ou fecha  a porta ardente  de vez  quero saber  se esta semente  ainda será  vento flor ou ave  um viver que é morrer  a cada hora angústia  que é prazer  surda harmonia  todo o bem  todo o mal  dor alegria  abutre  pomba de luz  que me  devora  prisão de onde  não  que...

a crisalida

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a Ana  não te perguntarei se alguma vez  esperaste minhas  palavras  o meu comboio  o meu metro  o meu avião  o meu machibombo  este vento ardente  reclino meu rosto  na madrugada que  nasce  incendiada nos teus  olhos  quando me fitas  e na dor  e no silencio  as malhas teço  com que me  sepulto  porquê tanto muro  tão espantosas  muralhas  a separar nos  na vida na morte  onde eu estiver  estarás comigo  e o resto não será  mais  verás que um maravilhoso  bicho  espera a primavera  em seu casulo 

o poeta

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a Ana  seara e nuvem  barco e melodia  no coração das  feras  trazes a aurora  em tuas mãos  suaves  abrindo a noite  barco e melodia  lírio solar  estrada cotovia  jamais sonhada  pelas próprias  aves  a morte a vida  a porta e a chave  tudo se confunde  e anuncia  sonharam te os abismos  e os morcegos volveram  se em arcanjos  e vêm cegos quando os fitas  pousar nas tuas mãos  só em ti a beleza encontra forma  cantas e ligo a noite  se transforma  no dia  que faltava à criação 

viaja me

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a Ana pura ou impura pouco importa isso simplesmente humana súbita árvores de seios desejos de angústia coberta de insultos raiva a cada instante morres renasces voo com o teu olhar punhal acertado cravado no vento da nossa loucura com tuas sedosos mãos esmagando insectos flores venenosos com teus lábios ardentes de febre colados aos lábios frios da morte caminhas relâmpago na treva ignorante sabia te busco louco e cego espermatozóide viajando rápido os secretos caminhos uma vez mais a cada instante morres renasces no sangue na voz no desespero com que te chamo e me respondes ignorante sabia visível secreta pura lmpura te abres me dás os lnfernos os céus e virgem me dizes viaja me relâmpago uma vez mais

canção

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a Ana  na fome verde das searas roxas passavas sorrindo  na fome verde das searas verdes  das sara roxas  aí a papoila crescer na campina  na fome roxa das searas negras que levas tu em tua fronte  na fome roxa da seara  negra  aí devoram corvos o horizonte  na fome negra  das searas rubras aí de nós na fome negra das searas rubras trinta balas gritam na campina trinta balas nos mataram a fome a nós meu amor

canção do amor fecundo

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a Ana  vem  tu és a minha rapariga aquela  que eu espero sem preconceitos  errados nem cinismo de espécie  alguma  porque és humanamente pura  e digna das carícias que guardo  desde o fundo de mim  vem  ó minha rapariga ó minha companheira  resoluta que irás comigo partilhar os  caminhos bons ou maus dos  dias  próximos da próxima jornada enquanto  desvendamos  segredos os mistérios  da nossa unidade em terra e em sangue  caminharemos lado a lado o mundo  será nosso  debaixo dos nossos pés brotarao  fontes seremos claridade 

identidade

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 a Ana identidade eu sou o vento que havia de vir o vento necessário escutai a canção admirável de meus lábios de poeta e deixai que eu passe eu quero beijar beijar suavemente os seios e o sexo em flor das magníficas mulheres que estão concebendo deixai que eu passe bonancosamente e semeie em paz quando não passarei de qualquer forma serei o furacão que tudo subverte pois a sementeira terá de se fazer

em ti começou o tempo

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a Ana em ti começou o tempo não há que conta lo senão nos teus braços em ti acabará um dia mas então tudo terá findado na espessura da noite próxima corre ó estrela gloriosamente brilha antes que para sempre nos espaços te afundes e percas para os nossos  olhos este o condão da tua existência este o atributo o significado a senha do nosso irremediável necessário harmonioso encontra

ergue lenhador o teu machado

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a Ana ergue lenhador o teu machado assenta o golpe no tronco necessário dá começo ao teu trabalho golpe a golpe ergue te a consciência do tempo que crias e que independentemente de ti ó lenhador te arrasta implacável e sereno assim querida te golpiarei te beijarei onde não és mais do que o teu próprio principio para além da carne que te veste só de te ver desfaleco te possuirei para além dos seios e da curva tão macia dos teus braços para além das pálpebras onde dormem a noite e a luz todo o prestígio da fascinação para além do teu sexo e do mistério que nele me escondes

o tempo

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a Ana tu és o tempo amor em ti minha inteira condição minha miséria e grandeza minha humanidade plena em ti minha dignidade ó sopro ou renovação incessante tenaz pura veemente como o aço a raiva e a doçura do nosso desejo em ti a arquitectura e a música perfeita a harmonia das cores é dos volumes em ti a poesia e a fecundidade o tempo tu o medes e a mesquinhas o tempo sopra dos teus lábios o tempo escoa se por entre os teus cabelos em ti as leivasa as fontes e as sementes os mais secretos caminhos em ti as searas ainda futuras mas tão magníficas e reais que dq tua epiderme já brota o calor suave e o olor das espigas ou do teu sexo

Antes de ti

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a Ana antes de ti o vácuo a desolação a não existência não exagero querida falo te quase sem palavras sepultado no silencio e na treva deste cárcere e canto nossa gloriosa humana condição em ti existo em ti me encontro em ti espero hoje como ontem e amanhã inexoravelmente rebenta ó árvore abandonada no inverno do áspero caminho canta ó ave intranquila do amor teu sonho de planície

harmoniosa canção

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a Ana  irremediávelmente o tempo começou  agora que chegaste  e é maravilhoso como toda o seu significado se perdeu e ganhou  um vazio antes de ti um infinito vazio depois de ti  se te fores  ó meu amor  mas tu jamais  te apartaras de mim ou o mesmo é dizer da tua própria essência falo em termos absolutos bem sabes mas reais onde existir o tempo se tu para mim não existias o tempo só é válido em ti só tu lhe dás realidade és o fluir tudo está suspenso em ti a vida a esperança o desespero a morte tu és a hora o dia o equinócio tu a manhã a primavera a flor os frutos o umbigo os seios a noite as estrelas na profunda noite só em ti a vida em ti somente a morte só em ti a expressão o significado

entendimento

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a Ana do entendimento nos reforça o poder da razão na construção da nossa identidade  há um longo processo adstrito que nos veste da multiplicidade e eu encontro te na unidade dela tendendo para o infinito se no teu âmago há convergência tu a deverges num mundo disperso onde recebes e cedes a essência

sentindo a roda da vida

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a Ana  sentido na roda  da vida  temos um corpo  cinco sentidos  dentro de um todo  toco de leve  no algodão  bonito macio  e leve  bola de sabão  cheiro o teu cabelo  cheira a maçã  acordo ao teu lado  pela manhã ouço  melodias de tempos passados como uma laranja  saboreio cada gomo todos eles são  doces  olho para o céu  e vejo os pássaros  a voarem  deixo me  ficar  a ver onde eles  irão pousar